A importância de se fazer acreditar

Existe uma frase que não sai do meu pensamento e que me motiva a continuar na luta pelos meus ideias dentro ou fora do asfalto e ela é: ”Sozinhas somos boas, mas juntos somos muito melhores”. Levo tão a sério essa frase que cheguei a me inspirar nela e salvar a pessoa que mais amo no mundo, a minha mãe durante um período bastante delicado de sua vida.

Após uma separação inesperada, Maria, a pessoa que mais me estima e me ajuda nesse universo, sentiu-se desmotivada a continuar fazendo as atividades que costumava fazer como danças e projetos. Tentou desterra-los, tentou recomeçar com outra perspectiva, mas nada adiantou. Eu, Kauana, do lado de fora desse universo, tentava imaginar o que eu poderia fazer para ajuda-la.

Palavras motivacionais já não eram suficientes ao ponto de que eu as aprendi com ela. Livros e músicas que me agradavam também não seriam compatíveis, a medida de que eu e minha mãe temos gostos totalmente opostos. Então.. o quê? Parecia tão fácil chegar a essa conclusão, mas naquele momento, parecia ser algo que ficaria apenas no meu imaginário.
Cheguei em um dia e disse: ‘Mãe, você não quer começar a correr? A corrida me ajudou e ajuda muito e me transformou, como você bem sabe. Acho que chegou a sua hora de experimentar’. Ela ficou receosa, pensou milhões de vezes, mas decidiu que sim, havia chegada a hora de se erguer e dar a volta por cima, pois afinal, depois de toda tempestade, vem a bonança.

Disse que estaria com ela a todo instante – e cumpri a missão. Desde a escolha de uma academia para dar seus primeiros passos na esteira até a escolha do tênis, item indispensável para um iniciante. Dei camisetas de corrida, dicas, instruções e sobretudo a coragem que faltava, aquele empurrãozinho que a faria sair de sua zona de conforto e se entregar totalmente e sem medo a esse esporte.

Não foi fácil no começo, reclamações vieram tanto quanto as dúvidas sobre seu desempenho, mas eu nunca perdi a oportunidade de fazer com que ela acreditasse nesse novo recomeço. Não é fácil começar nada, por que com a corrida seria? A corrida tem que sair da alma, eu dizia. Sinta a corrida, viva a corrida e vibre cada metro conquistado.

E então, fiz minha mãe se redescobrir, se encantar e se inovar como ser humano, mulher e pessoa. Fiz com que os medos virassem algum apoio, fiz com que ela tivesse pessoas ao redor em que pudesse confiar e fiz com que a chama da corrida se tornasse um dos pilares da nossa vida porque o que eu aprendi, lá atrás, é que a corrida é transformadora, basta a gente se abrir para ela.

Depois de anos correndo, juntas ou separadas, ainda nos lembramos daquele dia da minha inusitada proposta – e de uma linda história de mãe e filha que se apoiam na vida e no asfalto porque sabem que juntas, sempre – e a todos os instantes – serão melhores e mais fortes.

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