Dar o nosso melhor, sempre

Aos 14 anos, eu não dedicava meu tempo com corrida de rua, já que nutria um amor profundo pelas artes marciais e me dedicava diariamente no kung fu.

Pelo meu jeito hiperativo e explosivo, o kung fu era para mim a atividade perfeita. Aprendia a me defender, a ter e ouvir um mestre, a ter disciplina, a entender uma cultura milenar e engrandecedora, a ouvir meu corpo, concentrar, pensar e agir no momento certo. Entretanto, muito mais importante do que tudo isso, foi a grande lição que levei para vida: nunca desistir da dar tudo de mim sempre.

Confesso que essa última coisa somente foi entendida em um exame de troca de faixa, no qual um dos requisitos obrigatórios era dar estrelinha.

Mesmo com todo os meses de treinamento dentro e fora do templo, eu nunca consegui dar estrelinha por medo e aflição. Nem quando pequena. Tentei aprender a todo custo, me empenhei para isso, mas não, eu não aprendi.

Só que para trocar de faixa, eu tinha que aprender, pois era uma das atividades que me daria ou me tiraria pontos para ir para a faixa roxa. E, acompanhada da minha família, fui ao exame e fiz todas as atividades certas. No bastão dei um show, no combate combinado, também. Em cada minuto, me sentia apavorada pelo momento da estrelinha, porque eu sabia que não iria fazer o exercício.

Chegara então, a hora de fazer e eu me ergui. Respirei fundo. Coloquei as mãos no chão e joguei meu corpo para o lado, executando um movimento que “imitava”, mas, claro, não fazendo a estrelinha.

Fiz novamente e cai de bunda no chão. Apavorada, olhei para o chão e logo me levantei. Olhei para meu mestre e respirei pensando: é, não deu. Que pena…

O exame estava chegando ao fim e como de costume, tínhamos que fazer um exercício de resistência. Nesse exame, era necessário ficar minutos em uma posição sem se mexer.

Eu tinha treinado para isso.Eu poderia.Eu iria conseguir. Bom, pelo menos isso.

Enquanto a maioria lutava para ficar na posição, eu ficava firme, com lágrimas nos olhos, mas confiante. Eu iria conseguir, eu não iria recuar. Aquela faixa era ser minha!

E consegui.

Mesmo que eu não tenha feito a estrelinha, eu passei de faixa porque segundo o mestre, eu havia dado tudo de mim nos treinamentos e no dia e que aprender a dar estrela, algum dia, eu conseguiria, mas a principal lição eu já tinha aprendido: a não recuar, a não desistir e a dar tudo de mim, independente de qualquer coisa.

Sigo com essa filosofia até hoje e fico feliz por tê-la levado para as quadras que estive, nas pistas, asfaltos, tabuleiros, palcos, templos, escola, faculdade e trabalho. Levo-a para todos os lugares porque eu sei que assim, serei sempre uma melhor pessoa.