Menos cobrança, mais agradecimentos

Sempre fui muito perfeccionista em relação aos meus textos. Para mim não basta apenas revisar, olhar de novo, levantar da cadeira, revisar pela segunda, quarta ou décima vez – e continuar nesse círculo sem fim. Não: ás vezes não basta apenas revisar mil vezes o que fiz e sim, apagar tudo e tentar fazer algo totalmente novo. Um viciante e irritante hábito, que me levou a não gostar absolutamente nada do que escrevia.

Escrevia milhares de textos para o Donas do Asfalto diariamente. Muitas vezes a mão, à caneta ou à lápis, no caminho do trabalho no metrô ou parada num café qualquer para me recompor.  Inquieta, tenho pensamentos que me rondam o dia inteiro e se eu não jogar para fora, enlouqueço.

Acontece que, ao tentar chegar a perfeição, passei a detestar tudo que fazia e a sempre me cobrar mais e mais. A ler mais, a escrever melhor, a diminuir vícios de linguagem e a inúmeras tarefas que me cobrava. Nada estava bom. Nada estava da maneira que eu queria.  Isso tudo foi tão ruim que acabei levando para a minha vida fora da escrita, crente também de que nenhuma tarefa que eu me propunha a fazer não estava um terço do que deveria ser. E não me agradando, obviamente, surgiu o bloqueio mental para me inspirar a escrever algo que pulsa diariamente nas minhas veias.

Para voltar a viver normalmente, tive que trabalhar a minha mente diariamente e acreditar que tudo depende da gente, do nosso poder de recomeçar, de acreditar em si mesmo – e de buscar fazer o melhor, não o perfeito. Somos humanos e por isso erramos, caímos, deslizamos e todos os dias  vamos para batalhas que nos testam mentalmente e fisicamente. Eu, combativa em 24 horas por dia, deixei a síndrome da perfeição tomar conta da minha consciência e quase entrei em parafuso por não estar escrevendo e me doando à escrita como antes.

Não que eu esteja curada, já que tudo é um verdadeiro processo, mas posso dizer que durante um tempo, venho aproveitando cada palavra colocada no papel e sobretudo agradecendo por ter tentado fazer um bom texto, um bom resumo, um bom relatorio ou o que quer que seja. Agradeço mentalmente por me libertar de um vício doentio para aceitar que todos nós passamos por limitações e elas devem ser respeitadas. Não são todos os momentos que faremos textos ou ações maravilhosas, porém devemos buscar sempre ficarmos felizes por termos erguido a cabeça, acreditando que sim, fizemos o nosso melhor naquele instante.

Hoje passo a me cobrar menos e a agradecer mais. Hoje quero sentir mais orgulho de uma ação minúscula que fiz, mas que me fez sair da zona de conforto e me feito uma Kauana melhor.

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