Sobre seguir em frente sem medo

Eu havia tomado uma decisão e estava ciente de que ela seria o melhor para mim e para meu crescimento e, no mesmo dia em que decidi informar o que havia decretado para a minha vida, fui questionada por uma amiga se aquilo era mesmo o que eu queria e se eu teria coragem de seguir em frente.

O questionamento dela – como os demais quando são para o nosso bem-estar – foi levado a sério p e acabou me proporcionando um outro momento de reflexão sobre a minha saída ou não da Runner’s World Brasil – e o porquê eu deveria deixar nessa época.

Logo após conquistar o emprego que eu sempre quis (atuar na melhor revista de corrida do mundo), percebi o quanto eu ainda precisava ir além para o meu próprio bem. Percebi também o quanto ficar escrevendo sobre as mesmas coisas, dia após dia, estava me fazendo ser uma pessoa estagnada, algo que nunca fui. Nunca.

Percebi então o quanto precisava remar e ser forte para lutar pelos ideais que acredito e lutar pelas vitórias que um dia serão minhas. Pelos outros eu não posso falar, mas comigo, as fases precisam ser vividas com intensidade e também deixadas sem que eu olhemos para trás. Dentro de mim eu tinha a convicção daquilo que eu iria fazer e sem medo, acreditei na minha escolha.

Acreditei porque se eu não buscar evoluir, não há ninguém nesse mundo que irá buscar isso por mim. Ninguém vai acariciar minha cabeça e dizer o quanto eu preciso ser forte, mas eu sei que preciso ser, então cabe a mim sair da zona de conforto e alcançar os meus sonhos porque eles são meus e só meus. Ninguém vai atrás deles se não eu, ninguém vai mover montanhas por mim, senão só eu mesma. E, se na vida tudo tem um começo, meio e fim, a melhor saída é ver com sabedoria tudo que aquela fase nos proporcionou.

Vivi um tempo incrível na maior revista de corrida do Brasil, aprendi muito mais sobre corrida, entende-la melhor e o mais importante: a nunca deixar de respeita-la como um esporte transformar e maravilhoso. Saio da Runner’s muito mais apaixonada por corrida e muito mais conectada à ela.

Sim, foi difícil colocar um ponto final em uma fase que me fez crescer profissionalmente, como corredora e como ser humano. Em uma fase que me fez conhecer novos lugares, pessoas e colegas de profissão que a tanto me ensinaram e que contribuÍram para o meu desenvolvimento como jornalista. Em uma fase que ajudou-me a entender ainda mais sobre meu dinheiro gasto e a valoriza-lo muito mais. Uma fase que me fez ficar mais íntima com o mundo da corrida e com isso, aprendendo a exigir o melhor de mim para escrever sobre ela. Mas, como tudo na vida, essa fase passou e chegou ao fim.

Sem olhar para trás segui em frente, acreditando em mim e no meu potencial para não só atingir o que eu mereço, mas também para aprender o poder de renovação do ser humano e no poder de transformação. E é por isso, que venho fazer um  conselho: quando achar que chegou no fim de uma missão, migre para um lugar em que exija novas ações e novos começos. Quando achar que já cumpriu o que deveria, siga em frente porque a vida passa e os nossos sonhos precisam ser vividos. Siga sem medo! Vá em frente, ouse e acredite em você sempre!