Paixão pelas palavras, paixão pelo dom da escrita

Quando percebi, já escrevia muito mais do que falava. Lia muito mais do que brincava e o universo me mostrava todos indícios sobre qual profissão eu deveria escolher.

Escritora ou jornalista? Ambas as coisas, não sei se existe jornalistas que não são escritores, mas existem escritores que não são jornalistas. E assim, simplesmente segui o caminho que a mim estava traçado. Não fui forçada a nada, não fui indagada por ninguém, embora tenha sido muito influenciada por meu avô que além de advogado, era escritor e uma pessoa apaixonada pelas letras.

Com ele, aprendi que uma escrita boa vem com o tempo e somente quando nós doamos um tempo às palavras para delas fazer um bom uso. Juntar em uma frase várias delas é simples, o difícil é transmitir sentimento e percepções ímpares sobre tudo que nos cerca. Leva tempo, leva paciência, mas toda missão que demanda esforços e determinação fora do comum, vale a pena.

Com ele também aprendi que não existe nada mais valioso que um bom livro, repleto de histórias ou verdades, mas sempre de ensinamentos e conhecimento. Com ele aprendi a escrever vendo o que ele escrevia aos outros e para ele mesmo, já que com seu quarto biblioteca, meu avô João nunca se desprendeu da leitura, nem quando a saúde dava sinais de atenção.

Ele se foi, mas assim como uma verdadeira obra, deixou raízes, tais quais levo sempre comigo, para onde vou. Amante da leitura e da escrita que sou, sei que estou muito longe de tudo que meu avô plantou para mim, mas a cada dia que passa, tento fazer das palavras o meu cartão de visita e com muito amor, transfiro o que há de melhor dentro de mim e o que eu quero que o mundo descubra.

Se aos 13 anos escrevi um livro completo, mas acabei perdendo-o por ter quebrado um computador, hoje dou ainda mais chance para as escrituras manuscritas que dificilmente conseguem ser barradas. Se tenho uma caneta e um lápis, estou em excelente companhia, ao passo de que não é preciso de muito para construir um bom texto ou boas histórias: você só precisa sentir as palavras, gostar de transmiti-las e ser um apaixonado pela língua, seja ela qual for.

E hoje, no dia do escritor, comemoro o fato de pouco a pouco, estar mais perto de me tornar a escritora que desejo ser. Parabéns a todos os meus mestres, à todos que me inspiram e me fazem persistir no sonho. Escrever é um dom, mas com empenho e verdade, todos podem ser bons escritores. Basta querer.