Somos maiores do que qualquer dor ou desculpa

Foto: Roco Runs – Instagram

Nem tudo são flores nesse mundo da corrida. É…nem tudo mesmo. Quem vê de longe não tem ideia de como é a realidade nos bastidores e só quem vivencia as dores e prazeres desse esporte pode dizer algo a respeito sobre situações que muitas vezes testam mais do que a nossa paciência, mas sobretudo o nosso amor por esse esporte.

Voltei extasiada da minha quinta maratona. De verdade. Sorriso no rosto, coração feliz, alma renovada e muitas memórias boas guardadas. Muitas mesmo, incontáveis e que eu agradeço muito por ter tido. Porém, eu também voltei esgotada mentalmente e fisicamente graças as pedras que tive que tirar do caminho para conseguir completar mais uma maratona e logo, meu corpo e minha mente trabalharam o triplo e cobraram a conta logo após voltar da corrida. Uma semana depois foi a hora de esquecer dos bons momentos e enfrentar dores crônicas, chatas e insuportáveis. Foi então que eu percebi que era a hora de repensar o meu momento na corrida.

Se eu já havia cumprido o meu objetivo do ano, por quê a pressa? Por quê, dona Kauana? Respirei fundo, enxuguei as lágrimas e voltei três casas – e ali fiquei porque as dores persistiram durante quase um mês para me lembrar o quão importante é não negligenciar descanso, idas aos fisioterapeuta, alongamentos e centenas de outras coisas que eu não havia feito por completo.

Não, não foi fácil e nem nunca é ver todo mundo retomando o ritmo de treino. Não foi fácil ter que abdicar treinos do Nike+ Run Club, da Corre Brasil e outros, entretanto foi preciso. A pausa foi mais do que necessária, foi vital – e foi feita no momento certo. Se eu mal conseguia andar, como eu iria pensar em…correr?

Durante semanas eu só estava liberada para fazer exercícios que não chegam perto da minha querida corrida e devo dizer que foi muito difícil ficar limitada a eles. Mas eu pensava que poderia ser pior – e poderia ser, sempre pode ser. Pensava que eu deveria agradecer por todas as conquistas já alcançadas e em tantas que virão pela frente se eu me permitir conquistá-las. Ou seja? Eu fiz questão de pensar positivo em cada ida à musculação, no fisioterapeuta e na osteopata para compreender que esses momentos também fortalecem todas as nossas vibrações.

Vibrei para ficar com a perna zerada tanto quanto vibrei para completar a minha primeira maratona e sempre que podia, eu recordava daquele momento que marcou a minha alma. Eu tinha 21 anos e eu já dizia aos quatro cantos que era maratonista… Eu tive uma força que não sei da aonde surgiu, mas eu tive e isso ninguém tira de mim. Então, pensando por esse lado, o que é uma dorzinha na perna para quem construiu a própria história dando cara a tapa e pagando para ver?

Nada. Simplesmente nada. Uma dor a mais, uma a menos, nada disso tira o brilho das nossas conquistas, nada disso pode nos limitar e muito pelo contrário: cada pedra, cada obstáculo e cada degrau deve nos fortalecer – e só. Em cada dia que eu deixava de correr, eu me imaginava lá na frente, daqui uns anos e em quantas provas ou maratonas eu já vou ter feito. Não me permiti ficar triste, não deixei isso me abalar porque nós somos maiores que qualquer problema, nós podemos e seremos mais fortes que qualquer coisa que possa nos derrubar, basta a gente querer e cá entre nós, eu sempre quero ser muito, mais muito maior que qualquer desculpa ou obstáculo. E ponto final.