E na jornada para a maratona…

tudo pode acontecer…

A cada ano que passo, comprovo: uma jornada de maratona pode virar livros, cinco delas então, uma saga de como ser um corredor da vida real malabarista, realista, determinada e extremamente aflita.

Em meio aos treinos de tiros, de fartlek e dos duros longões, acontecem sempre aquelas situações imprevisíveis, tal como a nossa vida é para nos deixar de cabelo em pé e sem saber o que fazer por alguns minutos… É o chefe que pede o projeto final na data x, é a faculdade que não deixa você respirar, é o namorado que quer ir naquele show daquele cantor bem na véspera do seu longão de 32 km – e a sua família, que não aguenta mais ouvir você falando que precisa cumprir planilha, que está cansada, sem tempo e que precisa ser forte. Junto à isso, a maior das inimigas  do momento: a planilha que bem no finalzinho dela, tem dois números que sem o acompanhamento da sigla “km” passam despercebidos, mas com eles, não. Com eles formam o número que muitos corredores querem alcançar e que dão o título de maratonista.

Verdade seja clara: não é fácil treinar para uma maratona e permitam-me usar o velho e chato clichê de que se fosse, todos realmente fariam. Isso é bem verdade, já que os que conseguem fazer uma boa maratona (lê-se treinar para uma regularmente) são os que driblam todas as adversidades e se tornam vitorosos. Vitorosos e não guerreiros, porque não se trata de uma batalha, se trata de um autoconhecimento.

Em meio ao caos diário e das confusões mentais que esse tipo de treinamento acaba nos fazendo ter, somos obrigados a nos motivar determinados e centrados. Não se vende amor para correr uma maratona, tampouco existe uma fórmula mágica para passar por esse período sem que não haja muito sofrimento, porque acredito que é exatamente isso que lhe torna apto para correr 42 km. São esses momentos tristes, dolorosos, os quais você pensa em jogar tudo para o alto e dizer que não consegue que são os lhe farão comemorar no dia da sua maratona, dia que você vai agradecer ao céu e aos deuses por não ter desistido e por ter ido até o fim.

Eu sei muito bem como é complicado lidar com essa trajetória e nesses quatro anos correndo maratonas, em toda jornada eu penso que não vou dar conta e que esse “troço” não é para mim. É uma luta mental quando uma parte de mim diz que eu posso e a outra diz para eu não insistir. Nem sempre a parte ruim perde, mas as vezes que a parte boa pediu para insistir e eu o fiz são, de longe, mais frequentes.

E são assim porque eu escolho meus caminhos, eu que faço minha história. Sou sempre eu que escolho continuar o treinamento ou parar no meio dele. A escolha é sempre minha de me tornar uma vitoriosa dentro dos meus limites ou permitir dizer a mim mesma que estou mais fraca e que devo esperar pelo melhor caminho. A cobrança vem de dentro, assim como o amor pela distância que hoje é capaz de me fazer acordar cedo, dormir tarde, perder festas, amigos, namoros, encontros, compromissos e ouvir milhares de coisas simplesmente porque me faz ser quem eu sou. Me transforma, me educa… Me faz me sentir uma pessoa muito mais forte, mais centrada e o principal: me faz acreditar em mim mesma, do modo como devo acreditar. Se ir atrás de uma medalha de maratona para uns é loucura…Para mim, é vida e sigo lutando, sigo persistindo e dando o melhor de mim porque só assim que vou conquistar o que desejo. E toquemos o barco!