Compartilhar, somar e aprender

Como boa aquariana que sou, sempre tive a necessidade de precisar menos dos outros e só depender de mim para construir e ir atrás de objetivos. Ao entrar no universo da corrida de rua, levei as minhas melhores e piores características e obviamente que essa não ficaria de fora.

No começo, correr ao lado de outra pessoa parecia ser a melhor solução para enfrentar a quilometragem que era pouca, mas parecia gigantesca, eterna. Parecia que eu não daria conta do recado só estivesse sozinha e eu preferia correr ao lado de um amigo, cujo apelido até hoje é de ‘’padrinho running” (obrigada, Fausto, por tudo!).Tentava entender a mecânica da corrida observando-o e pouco a pouco, fui entendendo o que era pace, respiração certa durante a corrida, o que usar, o que fazer e tudo mais que envolve esse esporte apaixonante.

Até que me desprendi e criei asas. Quis voar. Enfrentei meus primeiros 5km sozinha na rua, dentro de um circuito e rapidamente, pulei para os 10km, em seguida para os 15…e 21km. Foi então que percebi que correr acompanhada não era mais minha praia e que de certa forma, eu me sentia travada com alguém do meu lado. Não saberia dizer o porquê dessa transformação repentina, mas creio que foi essencial para o meu desenvolvimento.

A partir desse momento, treinei durante um bom tempo sozinha. Eu, meu GPS e São Paulo inteira só para mim e isso me parecia tão confortável. Mesmo com 20 e poucos anos – e as inevitáveis broncas de preocupação da minha mãe por conta da minha rebeldia – eu não sentia medo de ir completar um longo em outra zona da cidade e fazia com gosto. Com amor. Com determinação. Assim treinei para a minha primeira maratona, entregando inúmeros treinos longos com chororô no final, medo, angústia, insegurança, mas também com muito foco porque eu sabia que essa era a principal característica de um maratonista.

Fiz 21 anos e tornei-me, enfim, maratonista e embarquei numa história de uma enorme paixão pela distância. Levando a ferro e fogo o lema: “ou você ama ou você odeia a maratona’’, permiti me apaixonar e me encontrar durante o percurso que não só me ensinou a ser mais forte, mas também a acreditar sempre no meu potencial como mulher e corredora.

Mas o destino, claro, pregou uma peça comigo que eu definitivamente nunca esperaria…Após quase três anos treinando solitária, a vida me trouxe um anjo lá de Portugal que me ensinou como é treinar acompanhada e o quão bom era isso. Seu nome é Mariana Passos e que por tanta afinidade, já corremos duas maratonas juntas, além de muitos treinos e provas.

O processo de correr em conjunto foi difícil de ser assimilado, já que eu nunca via necessidade de ter alguém ao lado e posso dizer que a Mari nem se esforçou para me ‘’ensinar’’; era o momento certo desse aprendizado acontecer. Com ela, driblei lesões, problemas no trabalho, em casa, do coração e treinei com garra para completar a minha terceira – e quarta maratona em que ambas tiveram um final feliz.

Eu poderia simplesmente agradecê-la por ter me ensinado o que é dividir uma paixão, mas vou além: ela foi uma das responsáveis por eu ter me tornado pacer no Nike+Run Club, e por hoje completar um ano dentro desse clube de corrida tão famoso e tão querido.

Claro que fui crua e cheia de medo de não dar conta, mas com as lições que juntas aprendemos, eu certamente não saberia como motivar, incentivar, impulsionar e sobretudo acreditar na força do outro – e de fazê-lo jamais desistir do sonho, assim como ela jamais me deixou desistir do meu.

Nesse mês de março, completo um ano dentro desse clube que hoje é parte da minha família e da minha vida. Lá fiz amigos, parcerias e encontrei pessoas que me fazem acreditar que com a companhia do outro somos mais fortes e podemos sim contribuir para um mundo melhor. Lá não temos tempo para desânimo ou falta de amor porque transbordamos alegria, energia, confiança, vontade e sobretudo resistência em persistir em qualquer que seja o objetivo e fazemos de tudo para que o outro encontre a glória.

Hoje, eu sei muito bem que a corrida é um esporte coletivo, mas eu prefiro dizer que ela faz muito mais sentido para a alma quando é compartilhada e por isso, a vida fica muito mais florida, feliz – e completa.

Obrigada Fausto por ter me colocado nesse universo e por ter me ensinado tanto. Você plantou a sementinha e eu devo muito.

Obrigada mãe por ter acreditado em mim ontem, hoje e sempre – e por estar sempre de braços abertos após uma maratona completada.

Obrigada anjo Mariana Passos por ter sido minha pacer quando a gente nem imaginava que um dia seríamos juntas.
Obrigada Thaíla por ter me passado tantas lições, Iury por sempre ser firme nas palavras e consequentemente jamais me deixando desistir. Obrigada Suellen pelas broncas e confiança, Gabriela pelas palavras e amizade que confortam, Roger pelas fortes lições de resistência, Poldo pelos momentos alegrias e Clarrisa e Ana Carolina pela parceria dentro e fora do asfalto.

Obrigada Edson pelas lições de como sempre tentar ser uma pessoa melhor do que ontem, Tatiana por me mostrar que as melhores heroínas são as que não são moldadas por fantasias, Bolt pelas gargalhadas, Wallas pela paciência em aprender e a ensinar e Julio e Chris por serem minha fontes de inspiração. Obrigada Maura, Isa, Daniel, Juliana e Rodrigo, pessoas muito importantes na minha trajetória.

Obrigada ao Renan que como bom treinador, exige, instiga e faz florescer nosso melhor, ao Wanderlei Oliveira por todo o ensinamento e ao meu treinador Augusto por todo suporte e atenção. Obrigada Vinicius Vizu, Nath Tercero e Renata pela confiança no meu trabalho. Obrigada a todos os amigosque acreditam e vivem o dia-a-dia nesse esporte. Obrigada por tudo, eu não sou nada sem vocês!

Mariana, Roger, eu e Gabriela em mais um NRC SP.