Mais uma prova pra conta

Por Cris Fernadez, ultramaratonista e colunista do site

Correr é deslocar-se, mover-se rapidamente, andar com velocidade, prosseguir, percorrer; mover, puxando ou empurrando, igualar, competir…Formalmente falando é isso, mas para mim, é muito mais! Para mim, é prazer, bem estar, uma forma de manter disposição, energia e saúde. É unir pessoas afins, com interesses comuns. É correr pelo simples fato de correr. É superação sobretudo! E essa palavra com certeza é muito usada por quem pratica atividade física. É o ato de ir além, de resolver dificuldades, de vencer cada meta pessoal. No caso da corrida, por exemplo, há um estímulo onde, a cada momento, podemos definir um objetivo diferente como aumentar a distância, correr em outro tipo de plano, diminuir o tempo de determinado percurso e outras coisas mais.

Hoje, minha especialidade são as ultramaratonas, corro distâncias acima de 100 km, mas, como necessitamos de desafios, às vezes corro pequenas distâncias, como 5 ou 10 km. E no domingo, dia 18 de outubro, no Rio de Janeiro, participei de uma prova interessante, organizada pela Adidas, em que os atletas percorreram 10 km, duas horas depois 5 km e os 200 melhores homens e 100 melhores mulheres, em resultados, uma hora depois percorreram 1 km. Uma prova veloz e, ao mesmo tempo, uma prova que requer dose de resistência para poder, em tão pouco tempo, voltar a correr distâncias menores e mais velozes. Então, o meu objetivo era utilizar a minha resistência para fazer 2 provas num período de 2 horas e também ser veloz o suficiente para conseguir me classificar para a terceira prova de 1 km.

Muita gente fala: “Pra quem corre distâncias tão grandes, correr 5 ou 10 km é moleza!”. Mas não, muito pelo contrário. Quem corre longas distâncias emprega uma velocidade menor, justamente para poder suportar fazer todo o percurso, preferencialmente, sem parar. Quem corre distâncias menores, explode! Imprime uma velocidade grande para chegar mais rápido e para mim, não é fácil. Total respeito e admiração pelos velocistas. Mas treinei, corri e consegui participar do 1 km final, ficando classificada em 27° lugar, dentre as 100 melhores!

Felicidade imensa porque provei para mim mesma que com força, dedicação e foco posso me superar. Ir para o pódio nas longas distâncias, mas também chegar lá nas pequenas distâncias, por que não? E é isso que me move… A distância, o terreno, a velocidade, o sol, a chuva, o vento, o calor, o frio! Correr é um momento de entrega, onde só o que importa é saber onde largar e aonde chegar, é a “SuperAção”, sempre! O resultado final? Eu, Cristiane Fernandez, ultramaratonista, 42 anos, fiquei classificada em 21° lugar geral!

A prova em si, como toda e qualquer organização, teve prós e contras: retirada do kit foi bem organizada, estrutura excelente, música durante a prova (largada e chegada) estimulando os atletas e eficiente consulta de tempo e ranking no dia da prova e pós prova. O que poderia melhorar é organizar os kits de acordo com o número de inscrições realizadas, pois no sábado anterior a prova, à noite, já não havia mais viseiras para os atletas inscritos. Além disso, entregar o chip junto com o kit e não uma hora antes da largada da prova também poderia acontecer e também não permitir que haja atraso na hora da largada (este ano houve um atraso de 15 minutos), pois isso atrapalha toda a preparação feita pelo atleta pra correr e não fazer a largada em curva (presente a 50/100 m da largada).

Quem sabe em 2016 eu consigo melhorar a minha colocação? Então, que venha mais um desafio Adidas Boost Endless Run! Eu irei me preparar e você?