Suor, aprendizados, motivação e maratona à vista

Semanas pré-maratona talvez sejam piores que o dia da prova. Há quem diga que ficamos mais sensíveis, pensativos…E bem, não estão nada errados. É aquela fase que recordamos de cada treino realizado, das dores sentidas, da endorfina fazendo parte de (quase) todos os nossos dias – e de cada sensação de “dever cumprido” obtida.

Como sou do tipo de corredora que não pensa muito na linha de chegada, os dias pré-prova costumam ser mais difíceis de lidar do que a maratona. Já que acredito que a jornada importa mais, o dia da prova é só consequência de todo trabalho realizado por nós. Chegar lá é fazer a lição de casa, mas se não houve embasamento para ela, de nada adianta alinhar.

Foi com o tempo que aprendi essa lição e com as dificuldades de treinar para uma maratona. Aos 21 anos, bati no peito e disse que conseguiria – e consegui. Mas se soubessem o quanto tive que lutar…A jornada começou dentro de casa, quando expliquei para familiares aonde estava pisando e por quê queria me tornar maratonista. Até que convenci, mostrando maturidade para a minha mãe, pessoa que sempre esteve presente em quase todas as minhas provas na rua e me viu ficar apaixonada por corrida todos os dias um pouco mais. A ela, convenci e quanto a mim mesma?

Duro oito meses de treinos, quedas, momentos de crise – e de medo. De duras mudanças, aprendizados forçados – e de provação. Às vezes o coração parecia que iria explodir, outras vezes a endorfina fazia o seu papel e me acalmava. Lutei contra todos os meus demônios, os deixei sair da minha vida e jovem, sorridente e extremamente grata, cheguei ao fim dos 42km pedindo mais. Convenci-me com uma medalha gigante no peito e ele por dentro transbordando de alegria.

Não foi fácil deixar de fazer certas coisas para completar uma maratona, mas desde o começo apreciei os detalhes da minha mudança, refletindo o quão importante ela estava sendo para moldar a Kauana maratonista. Sempre pensei que os meus primeiros 42km seriam um presente – e eu não estava errada. Cresci como pessoa, como corredora e vi que nas nossas falhas, há sempre a oportunidade de aprender. Em cada queda, um recomeço, em cada aflição, um novo jeito de recomeçar.

E é dessa forma que eu encarei o processo para a terceira maratona, fazendo jus a tudo que aprendi há dois anos atrás. Continuo recolhendo aprendizados diários e fazendo da minha jornada, a melhor que ela pode ser. De nada adianta pensar em alinhar se a jornada não te trouxe maturidade, transformação e ainda mais força. A linha de chegada é um momento único, mas fazer da jornada algo especial é – sem dúvidas – muito mais importante.