Até que ponto a tecnologia fala por você na corrida?

Vivemos a era tecnológica na corrida de rua, o sistema high-tech invadiu o asfalto. Relógio com GPS, aplicativos para cronometrar o seu treino, óculos, meias de compressão de último tipo… ufa! São tantos artifícios para deixar a nossa corrida ainda melhor que nem nos damos conta do excesso da tecnologia em nosso dia a dia.

Tudo que temos a nossa disposição pode proporcionar sim uma melhoria no nosso rendimento e performance – e o reflexo disso vemos nos tempos e recordes batidos. Cada vez mais, o homem está perto de correr uma maratona sub 2hrs assim como a mulher  se torna ainda mais forte dos desafios que ela elenca. Sem discussão de gênero; o homem e a mulher na corrida evoluem na mesma proporção nos dias de hoje, diferente do que era antigamente.

Entretanto, a minha crítica não é focada aos que usam da tecnologia para se tornarem melhores esportistas. Não. A minha crítica se dá a aqueles que acreditem que somente elas o farão ser melhores. Fui educada no mundo running a reconhecer essência – e ir atrás da minha. A depender menos do GPS e ouvir mais meu coração. A não ser refém de terceiros – e me tornar dependente somente de mim e dos meus sentimentos.

Não nasci corredora, tornei-me e é por isso que dou tanto valor ao que construo diariamente. O espírito de corredor, a verdadeira essência e o correr por si – e não para ser visto – é algo que atualmente é algo raro. Raríssimo, diga-se de passagem. Para inúmeros corredores, mostrar os dígitos do GPS é muito mais legal do que compartilhar histórias, momentos e superações.

Para mim, a corrida sempre foi muito mais do que bater tempos; ela representa um dos pilares da minha vida. Fez com que eu descobrisse que a Kauana consegue ir muito mais além do que ela poderia. Grandiosa, a corrida ensina e contempla inúmeras qualidades que não se limitam a te fazer ser mais rápido ou melhor que o coleguinha. Repito: não se limitam, não que não possa englobar. Limita-la a meros dígitos, para mim, é um desperdício, um erro. Como um esporte tão maravilhoso pode apenas ser resumido à um simples recorde?

Sou fã de carteirinha de todos aqueles que se superam com a corrida, que buscam novos horizontes e graças à elas, se descobrem seres muito mais fortes e resistentes. Admiro quem encontra na corrida um caminho novo, um “respiro” novo e que, não contente sem tornar a sua vida melhor, mostra ao próximo tudo aquilo que esse esporte nos oferece.

Sou fã dos que inspiram e espalham o bem, tirando a atenção de si mesmos e provando que ninguém é melhor do que ninguém por correr mais rápido. Prego e cultuo a verdade no esporte, quer queiram, quer não e eu continuarei admirando aqueles que fazem florescer na corrida de rua ou aqueles que tiram o brilho dela. Dentro ou fora do esporte, ninguém é melhor do que ninguém e é nessa filosofia que continuarei acreditando. O asfalto é de todos e para todos, sem exceção.